Não quero que este post tenha um tom de reclamação, é apenas uma constatação de fatos. Alguns fatos utilizados mais para o final do texto estão sem fonte mesmo pois não quero uma argumentação tão pesada (e claro, porque sou preguiçoso).
Estava voltando para casa de carona, numa estrada de pista simples, mão dupla. A estrada não é iluminada; alguns anos atrás, era apenas uma estrada de terra.
Ao passar por um trecho, notei um cavalo no "acostamento" da pista (na verdade é só um monte de mato). O cavalo era escuro, o ambiente era escuro, e só fui vê-lo a uns 5 metros de distância (a motorista também não viu muito bem). Mesmo considerado que o cavalo estava fora da pista, onde a iluminação do carro não atinge muito bem, a distância para parar antes de algum acidente seria bem reduzida.
Obviamente, cavalo avistado, voltamos para checar se não era uma alucinação ou nada do gênero, e eis que vemos não um, não dois, mas três cavalos escuros no escuro! E todos soltos, passeando ao redor da pista. E ao lado, tínhamos uma saída da cidade, onde carros ganham velocidade. Mas ali a iluminação é bem melhor.
Cumprindo o dever cívico, tentei ligar para a polícia, 190. Caiu na Polícia Militar de Sorocaba, que falou para eu ligar na Guarda Municipal (199).
Tento ligar para 199, a chamada não é concluída.
Tentei então ligar para 911. Sim, este número funciona no Brasil também. Agora vem a melhor parte da piada: "Para atendimento de emergência... E blá blá blá ... digite 2 ...". Não sei onde caiu a ligação, mas certamente foi em algum lugar com pessoas com um baita senso de humor.
Estupefato, pois eu poderia estar morrendo, liguei para 193. E aí acho que quem falhou foi a rede de telefonia móvel. O telefone passou a se comportar como quando o sinal fica intermitente. A área é bem complicada mesmo, pelo menos com a operadora que uso.
Pego o celular da motorista, e tento ligar para os bombeiros novamente. Desta vez consigo falar e passar as informações. Foram cerca de três minutos, em que um cavalo poderia ter entrado na pista e causado algo bem feio. E espero que menos tempo para a chegada dos bombeiros.
Fiquei abismado com a complicação para conseguir falar com um atendimento de emergência. Fosse algo terrivelmente urgente, o resultado poderia não ter sido bom. E a complicação de vários números, um para cada coisa (inclusive um para tirar sarro da sua cara), só torna a situação ainda mais estranha.
Qual seria o custo de unificar todos os atendimentos de emergências, acidentes, crimes e tudo mais em um número único? Será que não vale a pena?
Sobre os cavalos soltos, andei lendo por aí e parece que o máximo que o dono leva é uma multa (bem barata ainda). Há casos em que donos de cachorros são condenados por tentativa de homicídio quando seus totós se exasperam. Não parece muito distante eticamente soltar um cavalo na pista ou soltar um cachorro adestrado para o mal nas ruas. O estrago é o mesmo, senão pior no caso dos cavalos.
E por fim, operadoras de telefonia celular ajudariam se investissem um pouco mais em cobertura de sinal.
Sunday, August 14, 2011
Tuesday, May 25, 2010
Renovando a angústia
Uma versão melhorada e atualizada da calculadorazinha já está disponível. As novidades são:
- Uma linguagem minúscula (muito mesmo) é usada para descrever o cálculo das notas
- Erros são informados de forma amigável
- Matérias do terceiro semestre da turma de 2009 do BCC da UFSCar de Sorocaba :)
- Ah, e outras coisas aí...
Monday, January 25, 2010
Angústia
Quando começaram as férias, fui aprender um pouco mais de JavaScript e desenvolvi uma pequena calculadora, que permite simular cálculos de médias. Pena que já era tarde, pois não haviam mais médias para calcular!
Agora o ano letivo está para voltar, e eu descobri um jeito de colocá-la no ar: neste blog :) O link está no painel à direita.
Ela tem uma interface simples e permite visualizar vários cenários possíveis, bastando arrastar o botão dos sliders ou digitar no lugar onde aparece a nota.
As expressões usadas para mostrar a interface com os componentes das notas também são bastante flexíveis.
Espero que a interface seja auto-explicativa. Para os que quiserem um pouco mais, há o botão de ajuda embaixo, que ensina como escrever na sintaxe que ela entende.
Para quem for do curso de ciência da computação da UFSCar de Sorocaba, a calculadora será mantida atualizada, pois eu estou nesse curso. As matérias são do semestre passado, apenas em caráter ilustrativo, e assim que começar o semestre as novas definições serão colocadas.
Se alguém mais estiver interessado, é só falar comigo que eu incluirei novos cursos e matérias. Ainda há muitas melhorias a fazer, mas elas virão ao longo dos semestres, e sugestões também são bem-vindas.
Para os curiosos, o nome significa "angústia" em algumas línguas germânicas (como inglês e alemão, entre outras), e foi escolhido em homenagem à grande aflição que paira sobre as mentes dos alunos nos finais de semestre.
Agora o ano letivo está para voltar, e eu descobri um jeito de colocá-la no ar: neste blog :) O link está no painel à direita.
Ela tem uma interface simples e permite visualizar vários cenários possíveis, bastando arrastar o botão dos sliders ou digitar no lugar onde aparece a nota.
As expressões usadas para mostrar a interface com os componentes das notas também são bastante flexíveis.
Espero que a interface seja auto-explicativa. Para os que quiserem um pouco mais, há o botão de ajuda embaixo, que ensina como escrever na sintaxe que ela entende.
Para quem for do curso de ciência da computação da UFSCar de Sorocaba, a calculadora será mantida atualizada, pois eu estou nesse curso. As matérias são do semestre passado, apenas em caráter ilustrativo, e assim que começar o semestre as novas definições serão colocadas.
Se alguém mais estiver interessado, é só falar comigo que eu incluirei novos cursos e matérias. Ainda há muitas melhorias a fazer, mas elas virão ao longo dos semestres, e sugestões também são bem-vindas.
Para os curiosos, o nome significa "angústia" em algumas línguas germânicas (como inglês e alemão, entre outras), e foi escolhido em homenagem à grande aflição que paira sobre as mentes dos alunos nos finais de semestre.
Sunday, October 11, 2009
42
Alguns devem ter ouvido falar de Wolfram|Alpha, uma espécie de engine de respostas. Não é como o Google, faz coisas bem diferentes. Ele se propõe a responder perguntas com base em informações estruturadas, e não uma listona de coisas relevantes, como o Google.
Estudando, descobri uma excelente utilidade para ele: resolver as dúvidas cruéis de Cálculo II, envolvendo limites, sequências e séries. Digo dúvidas cruéis não porque sejam realmente cruéis, mas porque não nos dão a resposta para checar... Aliás:
Interlúdio para reclamação
Por qual triste razão os livros e professores de faculdade quase nunca dão as respostas? E quando dão, são só algumas. Eu, como auto-didata, sofro com isso. Preciso fazer exercícios para aprender, e para isso, preciso saber se a resposta está correta! Sempre foi assim que aprendi, e agora preciso ficar procurando as respostas como se fosse ouro. Felizmente agora encontrei uma mina (de ouro)...
Voltando...
Ele responde perguntas de tantos ramos de exatas e não-tão-exatas que chega a causar espanto.
É matemática, lógica, química, física, estatística, climatologia, astronomia, linguística... Calcula limites, resolve inequações, avalia expressões lógicas, compara elementos químicos, mostra rankings, converte valores... Bom, já deu pra entender. Há uma lista de exemplos bem completa no site.
Claro que existem dezenas de outros sites que fazem as mesmas coisas, mas acho que nenhum outro une tantas áreas diferentes num só lugar.
Jovem, se você é estudante, seja para vestibular, seja depois de ter passado no vestibular, ou muito antes disso tudo, Wolfram|Alpha é um grande amigo. É só aprender a notação, que é mostrada nos exemplos e ser feliz.
Estudando, descobri uma excelente utilidade para ele: resolver as dúvidas cruéis de Cálculo II, envolvendo limites, sequências e séries. Digo dúvidas cruéis não porque sejam realmente cruéis, mas porque não nos dão a resposta para checar... Aliás:
Interlúdio para reclamação
Por qual triste razão os livros e professores de faculdade quase nunca dão as respostas? E quando dão, são só algumas. Eu, como auto-didata, sofro com isso. Preciso fazer exercícios para aprender, e para isso, preciso saber se a resposta está correta! Sempre foi assim que aprendi, e agora preciso ficar procurando as respostas como se fosse ouro. Felizmente agora encontrei uma mina (de ouro)...
Voltando...
Ele responde perguntas de tantos ramos de exatas e não-tão-exatas que chega a causar espanto.
É matemática, lógica, química, física, estatística, climatologia, astronomia, linguística... Calcula limites, resolve inequações, avalia expressões lógicas, compara elementos químicos, mostra rankings, converte valores... Bom, já deu pra entender. Há uma lista de exemplos bem completa no site.
Claro que existem dezenas de outros sites que fazem as mesmas coisas, mas acho que nenhum outro une tantas áreas diferentes num só lugar.
Jovem, se você é estudante, seja para vestibular, seja depois de ter passado no vestibular, ou muito antes disso tudo, Wolfram|Alpha é um grande amigo. É só aprender a notação, que é mostrada nos exemplos e ser feliz.
Histórias de busão
Velho e jovem conversam. Velho diz:
- E você viu que eles conseguiram arrumar a cegueira de um homem lá, que nunca enxergou na vida?
- Não...
- Então, eles implantaram uma microcâmera atrás do nervo óptico do rapaz, e agora ele não consegue ver cores assim, mas consegue ver vultos e tudo mais. E estão treinando ele agora, pra ele reconhecer as coisas, ensinando o que é um muro, já que ele nunca viu um...
- Interessante...
- E tudo isso eles só conseguiram foi por causa de dois moleques de quatorze anos!
- Não, não é possível!
- Foi sim, os dois fizeram uma microcâmera pra poder colocar no fio de cabelo e passar as informações durante o vestibular!
- Mas como? Se eles são tão inteligentes assim nem precisavam colar!
Silêncio de 2s devido a argumento destruidor
- Daí o FBI pegou eles e eles tiveram que passar a tecnologia!
- ...
Tentei descrever o diálogo com a maior veracidade o possível. Foi uma conversa bem nessas linhas, e o jovem não parecia muito animado, ele já teve que aturar esse tipo de papo antes. Como é possível ser tão crédulo assim?
- E você viu que eles conseguiram arrumar a cegueira de um homem lá, que nunca enxergou na vida?
- Não...
- Então, eles implantaram uma microcâmera atrás do nervo óptico do rapaz, e agora ele não consegue ver cores assim, mas consegue ver vultos e tudo mais. E estão treinando ele agora, pra ele reconhecer as coisas, ensinando o que é um muro, já que ele nunca viu um...
- Interessante...
- E tudo isso eles só conseguiram foi por causa de dois moleques de quatorze anos!
- Não, não é possível!
- Foi sim, os dois fizeram uma microcâmera pra poder colocar no fio de cabelo e passar as informações durante o vestibular!
- Mas como? Se eles são tão inteligentes assim nem precisavam colar!
Silêncio de 2s devido a argumento destruidor
- Daí o FBI pegou eles e eles tiveram que passar a tecnologia!
- ...
Tentei descrever o diálogo com a maior veracidade o possível. Foi uma conversa bem nessas linhas, e o jovem não parecia muito animado, ele já teve que aturar esse tipo de papo antes. Como é possível ser tão crédulo assim?
Wednesday, August 12, 2009
?
Pequenas questões idiotas ou duvidosas que não valem um post completo
- Já notaram o crescente número de clipes de músicas com cenas que parecem simular orgias? Digo, uma dúzia de atores com roupa, mas pouca, e se esfregando em um sofá, sugerindo movimentos. Preciso de provas pra isso ou todo mundo já viu? Bom, aposto que qualquer um dos milhões de leitores desse blog já viu pelo menos uns três assim num passado recente.
- Não é incrível ver emissoras de TV e empresas de mídia em geral se digladiando?
- Será que o Twitter vai sobreviver? Daqui a dois anos, vai continuar tendo todo esse status e atenção? Bom, não sou especialista, mas já notaram que esses serviços que geram muito hype repentino tendem a sumir mais rápido do que apareceram? Minha curta memória só lembra do Second Life...
É tanto hype que basta dar um CTRL+F na página principal de sites de notícias e contar a quantidade de ocorrências de twitter e suas variações para se surpreender. Meu chute é que até o meio do ano que vem o Twitter vai estar na vala dos esquecidos, mas como eu disse num post anterior, tentar prever futuro de tecnologia é pedir para errar. Vamos ver se esse post voltará para puxar meu pé enquanto durmo. - Como seriam as notícias se além das mortes por gripe suína, as mortes por gripe comum fossem divulgadas? "1300 morrem esta semana"?
Friday, August 7, 2009
Brave New World
(Brave New World (Admirável Mundo Novo), por Aldous Huxley, publicado em 1932: lá vou eu escrever resenha desse super lançamento de quase 80 anos atrás.)
Como pode alguém escrever um livro entre os anos 20 e 30, e ainda assim acertar com tanta precisão o futuro? Não é exatamente um livro futurista, nem de ficção científica, ou apenas de sátira social, mas se encaixaria nessas prateleiras. É um livro bizarro, porque apenas mudando os nomes, descreve boa parte da nossa realidade. Mas como disse, o livro foi escrito antes dessa "nossa realidade" existir, ou pelo menos antes de ela estar sólida. Considero aqui como realidade o mundo após o final da Segunda Guerra, com todo o desenvolvimento tecnológico, o padrão de vida de primeiro mundo se espalhando, a explosão dos meios de comunicação (televisão e internet, principalmente) e todas as coisinhas que derivaram dessas mudanças.
O livro conta a história da humanidade durante a era de "Ford". Sim, o Ford dos carros, que estabeleceu as linhas de produção e ajudou na massificação do consumo. Alguém aí já leu 1984, ou viu o filme? Big Brother da TV não conta! 1984 está para o comunismo como Brave New World está para o capitalismo.
Na parte social, a previsão se mostrou bem correta, não sei se é por causa daquela máxima de que pessoas não mudam(1), e então qualquer bom observador vai conseguir prever o futuro do homem e da sociedade, já que esse futuro será o mesmo que o presente. Mas não me parece ser o caso, já que... bom, que leia o livro quem quiser, senão começarei a encher este post de spoilers.
Em suma, o autor previu um mundo de consumismo e futilidades, controlado por uma elite que manipula a mídia e as outras instituições, de modo que não haja dor, amor real, medo, ou qualquer outra forma de sofrimento (sim, pode incluir amor nisso também, e o livro explica melhor). A religião é trocada por um culto louco a Ford (que em português dá um efeito cômico especial, pois variações da palavra... bom, vocês sabem) e a ciência e as artes são esmagadas pela futilidade, e não pela censura. As pessoas vivem alegres, alheias e alcoolizadas, e qualquer desvio do padrão é visto como errado ou desnecessário. Ia escrever embriagadas no lugar de alcoolizadas, mas essa aliteração (ha!) ficou tão bonitinha que deixei assim mesmo.
O livro peca um pouco nas previsões tecnológicas: helicópteros voando por aí como carros (mas pelo menos não são carros voadores), o fato de ter que ir pra algum lugar como os correios para se comunicar rapidamente, ou a conceito de ensinamentos "hipnopédicos" (durante o sono). Erra principalmente ao retratar a reprodução literalmente in vitro. Se o autor soubesse o quanto a reprodução descontrolada ajudaria a moldar o resto do cenário do livro de forma mais próxima à realidade...
Mas são erros perdoáveis. Afinal, imaginar tecnologia do futuro é pedir para errar, ninguém mandou tentar. Apesar disso, o próprio autor afirmou no prefácio (escrito muitos anos depois) que a estória não é sobre a tecnologia em si, mas as suas consequências na vida humana.
Mas ainda assim, transformando foguetes em jatos comerciais, ensinamentos hipnopédicos por TV e música sintética em boa parte do que ouvimos hoje, fica tudo bem plausível. E tem o soma também, que é o equivalente do álcool talvez, mas sem os vômitos. E o ensinamento que diz que todo mundo é de todos, que não só tem uma assustadora semelhança com os versos de uma conhecida música brasileira, mas também serve para descrever muito do que se vê por aí...
Muitas vezes os "civilizados" acabaram por me lembrar da nossa mundo de pessoas quietinhas, controladas, bem amamentadas, propensas a desistir diante de dificuldades, e todo o resto. E não vou ser cínico de não me incluir nessa realidade também. Se tudo isso é normal e passageiro? Não sei...
Mas que o livro assusta, por parecer tão próximo, assusta.
(1) "People don't change"
-- Dr. House
Fiz isso por bobeira. O livro (pelo menos minha edição) é lotado de frases ditas pelo selvagem e detalhadas no rodapé, que remetem, principamente, a Shakespeare. Enche o saco, mas é legal.
Como pode alguém escrever um livro entre os anos 20 e 30, e ainda assim acertar com tanta precisão o futuro? Não é exatamente um livro futurista, nem de ficção científica, ou apenas de sátira social, mas se encaixaria nessas prateleiras. É um livro bizarro, porque apenas mudando os nomes, descreve boa parte da nossa realidade. Mas como disse, o livro foi escrito antes dessa "nossa realidade" existir, ou pelo menos antes de ela estar sólida. Considero aqui como realidade o mundo após o final da Segunda Guerra, com todo o desenvolvimento tecnológico, o padrão de vida de primeiro mundo se espalhando, a explosão dos meios de comunicação (televisão e internet, principalmente) e todas as coisinhas que derivaram dessas mudanças.
O livro conta a história da humanidade durante a era de "Ford". Sim, o Ford dos carros, que estabeleceu as linhas de produção e ajudou na massificação do consumo. Alguém aí já leu 1984, ou viu o filme? Big Brother da TV não conta! 1984 está para o comunismo como Brave New World está para o capitalismo.
Na parte social, a previsão se mostrou bem correta, não sei se é por causa daquela máxima de que pessoas não mudam(1), e então qualquer bom observador vai conseguir prever o futuro do homem e da sociedade, já que esse futuro será o mesmo que o presente. Mas não me parece ser o caso, já que... bom, que leia o livro quem quiser, senão começarei a encher este post de spoilers.
Em suma, o autor previu um mundo de consumismo e futilidades, controlado por uma elite que manipula a mídia e as outras instituições, de modo que não haja dor, amor real, medo, ou qualquer outra forma de sofrimento (sim, pode incluir amor nisso também, e o livro explica melhor). A religião é trocada por um culto louco a Ford (que em português dá um efeito cômico especial, pois variações da palavra... bom, vocês sabem) e a ciência e as artes são esmagadas pela futilidade, e não pela censura. As pessoas vivem alegres, alheias e alcoolizadas, e qualquer desvio do padrão é visto como errado ou desnecessário. Ia escrever embriagadas no lugar de alcoolizadas, mas essa aliteração (ha!) ficou tão bonitinha que deixei assim mesmo.
O livro peca um pouco nas previsões tecnológicas: helicópteros voando por aí como carros (mas pelo menos não são carros voadores), o fato de ter que ir pra algum lugar como os correios para se comunicar rapidamente, ou a conceito de ensinamentos "hipnopédicos" (durante o sono). Erra principalmente ao retratar a reprodução literalmente in vitro. Se o autor soubesse o quanto a reprodução descontrolada ajudaria a moldar o resto do cenário do livro de forma mais próxima à realidade...
Mas são erros perdoáveis. Afinal, imaginar tecnologia do futuro é pedir para errar, ninguém mandou tentar. Apesar disso, o próprio autor afirmou no prefácio (escrito muitos anos depois) que a estória não é sobre a tecnologia em si, mas as suas consequências na vida humana.
Mas ainda assim, transformando foguetes em jatos comerciais, ensinamentos hipnopédicos por TV e música sintética em boa parte do que ouvimos hoje, fica tudo bem plausível. E tem o soma também, que é o equivalente do álcool talvez, mas sem os vômitos. E o ensinamento que diz que todo mundo é de todos, que não só tem uma assustadora semelhança com os versos de uma conhecida música brasileira, mas também serve para descrever muito do que se vê por aí...
Muitas vezes os "civilizados" acabaram por me lembrar da nossa mundo de pessoas quietinhas, controladas, bem amamentadas, propensas a desistir diante de dificuldades, e todo o resto. E não vou ser cínico de não me incluir nessa realidade também. Se tudo isso é normal e passageiro? Não sei...
Mas que o livro assusta, por parecer tão próximo, assusta.
(1) "People don't change"
-- Dr. House
Fiz isso por bobeira. O livro (pelo menos minha edição) é lotado de frases ditas pelo selvagem e detalhadas no rodapé, que remetem, principamente, a Shakespeare. Enche o saco, mas é legal.
Friday, July 17, 2009
Aporcalipse
Está realmente cômico assistir telejornais nestes dias que vivemos.
A razão é óbvia, porque basta ligar a TV e esperar um pouco que logo aparece o desespero em notícia: a gripe suína.
Ninguém parece lembrar que a gripe comum normalmente mata pessoas aos montes, e nem por isso o mundo tem estado em pânico. Se isso não é razão suficiente para um facepalm, temos recomendações de higiene, tais como:
Essas são recomendações que eu sigo normalmente, porque tenho TOC e porque não sou porco. Aliás, os porcos estão fazendo as pessoas menos porcas! E sim, eu sei que não são os porcos, mas me deixem ser feliz com meu trocadilho idiota...
Estou só esperando pra ver aquelas pessoas que riem dos meus cuidados com higiene seguindo essas recomendações básicas.
Update: já encheu o saco mesmo! Quero a crise econômica de volta JÁ! Pelo menos eram recomendações de como lidar com o dinheiro, e não como higienizar os vãos do dedo com álcool gel...
* Aliás, isso merecia um post, mas vai na forma de um adendo mesmo. É só entrar em qualquer banheiro masculino e ver como muitos homens lavam a mão: abrem a torneira, molham a ponta do dedo, sacodem as mãos como se tivessem sido mergulhadas na água, e pronto. E mais um protesto: quem é que desenhas as pias? Por que a maioria delas tem que ser tão baixas?
A razão é óbvia, porque basta ligar a TV e esperar um pouco que logo aparece o desespero em notícia: a gripe suína.
Ninguém parece lembrar que a gripe comum normalmente mata pessoas aos montes, e nem por isso o mundo tem estado em pânico. Se isso não é razão suficiente para um facepalm, temos recomendações de higiene, tais como:
- Lavar bem as mãos, e não fingir que está molhando a ponta dos dedos *;
- Sempre que for espirrar, tampar a cara com alguma coisa que não a própria mão;
- Evitar apertos de mãos e abraços;
- Evitar aglomerações abafadas;
Essas são recomendações que eu sigo normalmente, porque tenho TOC e porque não sou porco. Aliás, os porcos estão fazendo as pessoas menos porcas! E sim, eu sei que não são os porcos, mas me deixem ser feliz com meu trocadilho idiota...
Estou só esperando pra ver aquelas pessoas que riem dos meus cuidados com higiene seguindo essas recomendações básicas.
Update: já encheu o saco mesmo! Quero a crise econômica de volta JÁ! Pelo menos eram recomendações de como lidar com o dinheiro, e não como higienizar os vãos do dedo com álcool gel...
* Aliás, isso merecia um post, mas vai na forma de um adendo mesmo. É só entrar em qualquer banheiro masculino e ver como muitos homens lavam a mão: abrem a torneira, molham a ponta do dedo, sacodem as mãos como se tivessem sido mergulhadas na água, e pronto. E mais um protesto: quem é que desenhas as pias? Por que a maioria delas tem que ser tão baixas?
Saturday, July 11, 2009
Ressurreição
Final de semestre na faculdade + falta de computador = blog esquecido
E finalmente entendo aqueles inúmeros blogs que dizem: "Final de semestre, tenho tanta coisa pra fazer que não dá nem pra pensar em internet!!!". É tudo verdade.
Em breve, posts novos. Ou não.
E finalmente entendo aqueles inúmeros blogs que dizem: "Final de semestre, tenho tanta coisa pra fazer que não dá nem pra pensar em internet!!!". É tudo verdade.
Em breve, posts novos. Ou não.
Saturday, May 2, 2009
Por quê?
Outro dia, assistindo um documentário sobre filosofia, mais especificamente sobre Sócrates, vi que ele fazia o mesmo que eu adoro fazer com pessoas ao meu redor: ficar perguntando os porquês de tudo.
Segundo o documentário, Sócrates era mal visto por aí (bom, por Atenas a uns 2000 anos atrás) por causa desse mesmo comportamento. Experimente fazer isso também: chegue para sua mãe e pergunte: "Mãe, por que você trabalha?", ou então, "Mãe, o que é felicidade?" mas não pare por aí. Vá perguntando os porquês e mais porquês, sem parar.
O objetivo é a pessoa mandar você ir à merda. Mas é isso mesmo que vai acontecer. Algumas pessoas vão rir e falar que não sabem, enquanto as mais esquentadinhas farão o que eu disse acima.
O curioso é que ninguém sabe os porquês. Ninguém sabe porque está vivo, porque faz o que faz nem porque tudo é o que é. Os que dizem que sabem geralmente colocam na explicação algum deus, trezentos deuses, um deus e dois cachorros ou um pé de jaboticaba sagrado, mas nada disso parece ajudar a responder logicamente aos porquês mais profundos.
Abaixo, vou simular um diálogo desse tipo com um leitor desse blog (se é que existe tal ser):
Isso não é bem o que o documentário fala que Sócrates fazia. Diz-se que ele fazia questões pras pessoas na rua tentando fazer com que elas chegassem a conclusões verdadeiras e não ilusões vendidas por uma maioria.
Mas acho que esse tipo de diálogo dos porquês acima também se encaixa nesse molde, e mesmo que não faça alguém mudar suas convicções, pelo menos deixa a pessoa pensando por 2 minutos, o que pra algumas pessoas já é pensar um monte.
Experimentem, façam isso com mães, que são mais dóceis com a gente e não vão guardar rancor.
Só não exagerem muito nisso. Com Sócrates não terminou bem.
Coloquem o resultado nos comments e respondam à maravilhosa enquete sem propósito e sem sentido, ao lado.
Agora, o menor diálogo de porquê de todos:
Segundo o documentário, Sócrates era mal visto por aí (bom, por Atenas a uns 2000 anos atrás) por causa desse mesmo comportamento. Experimente fazer isso também: chegue para sua mãe e pergunte: "Mãe, por que você trabalha?", ou então, "Mãe, o que é felicidade?" mas não pare por aí. Vá perguntando os porquês e mais porquês, sem parar.
O objetivo é a pessoa mandar você ir à merda. Mas é isso mesmo que vai acontecer. Algumas pessoas vão rir e falar que não sabem, enquanto as mais esquentadinhas farão o que eu disse acima.
O curioso é que ninguém sabe os porquês. Ninguém sabe porque está vivo, porque faz o que faz nem porque tudo é o que é. Os que dizem que sabem geralmente colocam na explicação algum deus, trezentos deuses, um deus e dois cachorros ou um pé de jaboticaba sagrado, mas nada disso parece ajudar a responder logicamente aos porquês mais profundos.
Abaixo, vou simular um diálogo desse tipo com um leitor desse blog (se é que existe tal ser):
- Por que você está lendo esse blog?É importante não perder a calma em nenhum momento, afinal é a outra pessoa que tem que perder a calma.
- Porque não tenho nada pra fazer.
- Por quê?
- Por que eu saí do trabalho/faculdade e estou descansando.
- Por quê?
- Porque eu quero recuperar as energias pra trabalhar de novo amanhã.
- Para que? [Note que o "por que" foi trocado por um "para que" similar]
- Pra ganhar dinheiro.
- Para quê?
- Pra ter as coisas que eu quero e ser independente.
- Por quê?
- Porque eu acho legal... [interlocutor com cara de saco cheio]
- Por quê?
- Ah, sei lá, eu não quero depender dos meus pais.
- Por quê?
- Por que eu já tenho 20 anos...
- Por quê?
- Como assim?
- Por que você tem 20 anos?
- Porque eu estou vivo! [interlocutor com cara de confuso]
- Por quê?
- Porque meus pais quiserem me ter. [hehehe, não acharam que ia passar sem uma cacofonia barata né?]
- Por quê?
- Ah, sei lá, porque eles quiseram ter um herdeiro...
- Por quê?
- Ah, pra passar a vida adiante, poder criar uma criança, sentirem-se parte do círculo da vida...
- Pra que?
- Oras, porque é assim que as pessoas são!
- Por quê?
- Por que sim!
- Ah, mas por que elas são assim?
- Por que sim!
- Por que sim não é resposta...
- AH, VÁ À MERDA!
- ROTFLMAO LOL ROFL
Isso não é bem o que o documentário fala que Sócrates fazia. Diz-se que ele fazia questões pras pessoas na rua tentando fazer com que elas chegassem a conclusões verdadeiras e não ilusões vendidas por uma maioria.
Mas acho que esse tipo de diálogo dos porquês acima também se encaixa nesse molde, e mesmo que não faça alguém mudar suas convicções, pelo menos deixa a pessoa pensando por 2 minutos, o que pra algumas pessoas já é pensar um monte.
Experimentem, façam isso com mães, que são mais dóceis com a gente e não vão guardar rancor.
Só não exagerem muito nisso. Com Sócrates não terminou bem.
Coloquem o resultado nos comments e respondam à maravilhosa enquete sem propósito e sem sentido, ao lado.
Agora, o menor diálogo de porquê de todos:
- Língua portuguesa, por que tantos tipos de porquê???
- [Silêncio]
Saturday, April 4, 2009
Vida além do arroz e feijão
Apelo: brasileiros e brasileiras, por favor, parem de considerar arroz e feijão como a combinação mais essencial e básica da Terra. Não, arroz e feijão não é como oxigênio e hidrogênio que juntos formam a água, não é a razão da existência, não é a combinação mais genial já inventada, nem nada disso. É simplesmente mais uma das combinações por aí. Explico.
Eu não gosto de feijão, mas adoro arroz de quase todo jeito. Mas parece ter um pensamento embutido na cabeça da maioria dos brasileiros (o que corresponde a cerca de 95% das pessoas com quem me comunico) de que arroz e feijão é algo sine qua non.
Pois bem, já ouvi muitas frases que me deixam pasmo:
A resposta que eu sempre tive vontade de dar é: qual foi a última vez que você viu o Homem Aranha filando um pratão de arroz, feijão e farinha?
A única vez que vi arroz e feijão juntos nos EUA foi na casa de mexicanos. De resto, até onde vi, americanos comem arroz OU feijão. Podem até existir juntos, mas não em todo lugar, todo dia, toda hora, não importam as circunstâncias, como ocorre aqui no Brasil.
Eu comia muitas outras coisas nos EUA (aliás, é totalmente errado o estereótipo de que era só hambúrguer e cachorro-quente). Só que é complicado explicar, porque era muito variado mesmo, não era aquela coisa: arroz, feijão, bife e batata frita. Não havia uma "base" para a alimentação como o arroz e feijão é no Brasil, e cada dia era algo novo, seja em casa, na escola ou em restaurantes. O primeiro cardápio americano que você pega é um choque. :)
A pessoa fala isso porque não viu arroz e feijão no meu prato. De algum modo, parece que alimentos que não estão no mesmo prato que arroz e feijão não são alimentos. Tudo bem, eu sei que pizza e cachorro-quente não é o almoço mais digno de aplausos, mas sim, alimenta. Outras variações podem produzir o mesmo efeito benéfico ao organismo que arroz e feijão proporcionam.
Oras, por favor, a pessoa esteve num outro país, a maioria deles com comidas excelentes, e não conseguiu, ou não tentou descobrir nada melhor ou igual a arroz e feijão??? Nada???
Entendo que arroz e feijão é importante e tudo mais, consiste uma boa base pra dieta, com carboidratos e ferro e não sei o que mais, que alimenta bem e é simples e barato.
Mas há comida sem arroz e feijão! E há povos que não comem arroz e feijão e sim, eles sobrevivem, e não, não são pessoas doentes e fracas.
Eu não tenho problemas com 99% das pessoas ao meu redor gostarem de arroz e feijão. Só não gosto do simplismo que cerca isso... Ah, e se alguém for defender ferrenhamente arroz e feijão nos comments, por favor, sem aquele papo de que enche o estômago.
Eu não gosto de feijão, mas adoro arroz de quase todo jeito. Mas parece ter um pensamento embutido na cabeça da maioria dos brasileiros (o que corresponde a cerca de 95% das pessoas com quem me comunico) de que arroz e feijão é algo sine qua non.
Pois bem, já ouvi muitas frases que me deixam pasmo:
Sim, não como feijão. Posso não gostar?
"Como assim??? Você não coloca feijão no arroz???"
"Você comia arroz e feijão lá?"Essa é quando me perguntam o que eu comia enquanto estava em intercâmbio nos EUA.
A resposta que eu sempre tive vontade de dar é: qual foi a última vez que você viu o Homem Aranha filando um pratão de arroz, feijão e farinha?
A única vez que vi arroz e feijão juntos nos EUA foi na casa de mexicanos. De resto, até onde vi, americanos comem arroz OU feijão. Podem até existir juntos, mas não em todo lugar, todo dia, toda hora, não importam as circunstâncias, como ocorre aqui no Brasil.
Eu comia muitas outras coisas nos EUA (aliás, é totalmente errado o estereótipo de que era só hambúrguer e cachorro-quente). Só que é complicado explicar, porque era muito variado mesmo, não era aquela coisa: arroz, feijão, bife e batata frita. Não havia uma "base" para a alimentação como o arroz e feijão é no Brasil, e cada dia era algo novo, seja em casa, na escola ou em restaurantes. O primeiro cardápio americano que você pega é um choque. :)
"Você só vai comer isso???"Dita pelas pessoas ao verem eu comendo dois pedaços de pizza, um cachorro-quente e tomando um copo de leite com achocolatado para o almoço.
A pessoa fala isso porque não viu arroz e feijão no meu prato. De algum modo, parece que alimentos que não estão no mesmo prato que arroz e feijão não são alimentos. Tudo bem, eu sei que pizza e cachorro-quente não é o almoço mais digno de aplausos, mas sim, alimenta. Outras variações podem produzir o mesmo efeito benéfico ao organismo que arroz e feijão proporcionam.
"Ai, eu sentia saudades daqui toda hora, sentia falta de arroz com feijão!"O oposto do caso do intercâmbio, dita por pessoas que voltam para o Brasil.
Oras, por favor, a pessoa esteve num outro país, a maioria deles com comidas excelentes, e não conseguiu, ou não tentou descobrir nada melhor ou igual a arroz e feijão??? Nada???
Entendo que arroz e feijão é importante e tudo mais, consiste uma boa base pra dieta, com carboidratos e ferro e não sei o que mais, que alimenta bem e é simples e barato.
Mas há comida sem arroz e feijão! E há povos que não comem arroz e feijão e sim, eles sobrevivem, e não, não são pessoas doentes e fracas.
Eu não tenho problemas com 99% das pessoas ao meu redor gostarem de arroz e feijão. Só não gosto do simplismo que cerca isso... Ah, e se alguém for defender ferrenhamente arroz e feijão nos comments, por favor, sem aquele papo de que enche o estômago.
Facul, mew
Agora entendo perfeitamente as pessoas que tem blog e falam que não tiveram tempo pra postar por causa da faculdade. Posts vão ter um intervalo maior a partir de agora. Como se fosse um post a cada dia antes...
Friday, March 6, 2009
Evolução
Não é incrível como algumas ideias ou instituições não precisam de ninguém para lutar contra elas, de tão ineficientes e antiquadas que são?
Parece que essas entidades tem a habilidade de se exterminarem sozinhas, bem lentamente, nem que décadas ou séculos se passem em agonia.
Parece que essas entidades tem a habilidade de se exterminarem sozinhas, bem lentamente, nem que décadas ou séculos se passem em agonia.
O Sistema
Dá pra entender essa gente que fala que é contra o sistema? Pior que dá. Mas não esse sistema, o outro. O Sistema.
Cenário 1: João vai ao banco. O sistema está fora do ar e ele volta pra casa resignado.
Cenário 2: Manuel vai trabalhar. O sistema está em manutenção e a atendente tem que fazer as coisas manualmente, demorando um tempão.
Cenário 3: Joaquim vai à prefeitura em busca de algum serviço. O sistema está lento e ele perde 2 horas lá.
Cenário 4: Pedro está tentando alterar seu plano de telefonia celular e liga, mas não pode ser atendido porque o sistema caiu.
Já perceberam como esse tal do Sistema está sempre com problemas?
Mesmo pessoas que não saem muito de casa, quando saem usar algum serviço público, meu caso essa semana, são afetadas pelo tal Sistema. Mas quem é ele?
O Sistema parece ser um termo usado para definir tudo: conexão com a internet, aquele banco de dados com algum problema bizarro (provavelmente por causa de um desenvolvedor mais bizarro ainda), ou aquela página que engasga no horário de pico...
E as razões pelas quais isso tudo está assim, não parece ter muita gente interessada em descobrir e resolver.
O que me choca é que eu não vejo os sistemas que administro dando tantos problemas, toda hora. Tudo bem que não administro nenhuma central com milhões de clientes, mas será que é tão difícil manter o tal do Sistema em pé por mais que 10 minutos?
Eu sempre achei que décadas de ciência, associadas a anos de faculdade e treinamento profissional gerassem pessoas capazes de fazer "sistemas" que funcionem de fato.
A consequência disso é que as pessoas sérias que trabalham com informática tem que ouvir aquelas ladainhas das pessoas afetadas pelo sistema problemático:
As pessoas que dizem isso não podem receber toda a culpa. O infeliz que faz O Sistema que deixou aquela pessoa na mão merece talvez toda a culpa.
Observações:
Cenário 1: João vai ao banco. O sistema está fora do ar e ele volta pra casa resignado.
Cenário 2: Manuel vai trabalhar. O sistema está em manutenção e a atendente tem que fazer as coisas manualmente, demorando um tempão.
Cenário 3: Joaquim vai à prefeitura em busca de algum serviço. O sistema está lento e ele perde 2 horas lá.
Cenário 4: Pedro está tentando alterar seu plano de telefonia celular e liga, mas não pode ser atendido porque o sistema caiu.
Já perceberam como esse tal do Sistema está sempre com problemas?
Mesmo pessoas que não saem muito de casa, quando saem usar algum serviço público, meu caso essa semana, são afetadas pelo tal Sistema. Mas quem é ele?
O Sistema parece ser um termo usado para definir tudo: conexão com a internet, aquele banco de dados com algum problema bizarro (provavelmente por causa de um desenvolvedor mais bizarro ainda), ou aquela página que engasga no horário de pico...
E as razões pelas quais isso tudo está assim, não parece ter muita gente interessada em descobrir e resolver.
O que me choca é que eu não vejo os sistemas que administro dando tantos problemas, toda hora. Tudo bem que não administro nenhuma central com milhões de clientes, mas será que é tão difícil manter o tal do Sistema em pé por mais que 10 minutos?
Eu sempre achei que décadas de ciência, associadas a anos de faculdade e treinamento profissional gerassem pessoas capazes de fazer "sistemas" que funcionem de fato.
A consequência disso é que as pessoas sérias que trabalham com informática tem que ouvir aquelas ladainhas das pessoas afetadas pelo sistema problemático:
"Por isso que eu ainda prefiro papel."Boa! Papel dá pra limpar a bunda e tudo o mais! Quero ver seu laptop fazer isso! Vamos todos voltar ao tempo do papel! Essa frase merece um post separado, a ser escrito no futuro.
"Mas e se não tiver energia elétrica?"E se você perder as duas mãos e os dois pés e os dentes, vai escrever como? Ops, ainda tem um jeito, mas ia cansar as costas. Compre uma bateria/gerador/no-break, e não ter energia elétrica vai ser como perder as duas mãos, os dois pés e os dentes.
"Ai, por isso que eu não gosto de computador..."Até você ver as fotos de todos seus parentes no Orkut e ficar encantado.
As pessoas que dizem isso não podem receber toda a culpa. O infeliz que faz O Sistema que deixou aquela pessoa na mão merece talvez toda a culpa.
Observações:
- Post escrito enquanto aparentemente o servidor de DNS da maravilhosa empresa que provê minha conexão estava com problemas, me deixando um tempinho livre. Sabe como é, tem muita baboseira pra ver na internet, acaba ocupando todo o meu tempo.
- E sim, eu sei trocar DNS, só não quis.
- Post em termos altamente genéricos, não é preciso entrar em muitos detalhes sobre servidores, links, sistemas de organização empresarial, bancos de dados e todos os outros "sistemas".
Friday, February 20, 2009
Crisis
Amazing video. Even if you don't have a good grasp on economy (I don't), you'll probably be able to understand how this big mess was started.
Part 1
Part 2
For further information: http://www.crisisofcredit.com/
Agora, se você não sabe inglês, vá aprender. Sério mesmo. Não é extra, não é básico. É essencial.
Part 1
Part 2
For further information: http://www.crisisofcredit.com/
Agora, se você não sabe inglês, vá aprender. Sério mesmo. Não é extra, não é básico. É essencial.
Samba em algum lugar
Esse post é um apelo a qualquer pessoa que julgue que o povo brasileiro é superior de alguma forma a qualquer outro povo porque "tem samba no pé".
Por favor, não tenham uma posição tão mesquinha e nacionalista de que só porque você nasceu num pedaço de terra como qualquer outro isso lhes garante habilidades e poderes especiais. E pior ainda é quando fazem piadinhas com estrangeiros como se fossem inferiores...
Claro que as pessoas que têm essa opinião provavelmente não lerão esse post, mas não tem problema.
Por favor, não tenham uma posição tão mesquinha e nacionalista de que só porque você nasceu num pedaço de terra como qualquer outro isso lhes garante habilidades e poderes especiais. E pior ainda é quando fazem piadinhas com estrangeiros como se fossem inferiores...
Claro que as pessoas que têm essa opinião provavelmente não lerão esse post, mas não tem problema.
Sunday, February 15, 2009
Matrícula
Ouvindo as opiniões de todos os lados, decidi não ir para o outro lado do mundo fazer faculdade e fiz a matrícula na UFSCar, campus de Sorocaba. E sim, teve trote.
Com tinta (inclusive dentro de um ouvido), lama, algum líquido que cheirava a tempero (e eu sinceramente espero que tenha sido só tempero mesmo), corte de cabelo e simulações com um boneco de propaganda de sorvete. Mas sobrevivi, embora esteja com uns 6 mm de cabelo. Na verdade é bem mais fácil de manter do que aquela cabeleira toda...
Enfim, as aulas começam no começo de Março.
Com tinta (inclusive dentro de um ouvido), lama, algum líquido que cheirava a tempero (e eu sinceramente espero que tenha sido só tempero mesmo), corte de cabelo e simulações com um boneco de propaganda de sorvete. Mas sobrevivi, embora esteja com uns 6 mm de cabelo. Na verdade é bem mais fácil de manter do que aquela cabeleira toda...
Enfim, as aulas começam no começo de Março.
Saturday, February 7, 2009
Play
Quantas vezes você já foi chamado por seu pai ou mãe ou qualquer outro parente para resolver problemas óbvios relacionados a tecnologia?
Não estou falando de ligar cabos, configurar dispositivos nem nada levemente mais técnico. Falo do óbvio do óbvio, coisas do tipo:
Mas pior mesmo é aquela desculpa:
Sinceramente, acho muito mais fácil decorar o que um triângulo quer dizer num tocador de música...
Não estou falando de ligar cabos, configurar dispositivos nem nada levemente mais técnico. Falo do óbvio do óbvio, coisas do tipo:
- Como liga?
- Como faz pra tocar?
- Como abaixa o volume?
- Como vai pra próxima?
- Como desliga?
- Ligar ou Desligar: um círculo com um pauzinho saindo (...).
- Tocar (e geralmente, pausar também): um triângulo virado pra direita.
- Abaixar o volume: qualquer controle de volume geralmente se dá com os sinais de + e -. Se não for isso, pode ser a representação de um alto-falante com um ondas de som saindo a mais ou a menos.
- Avançar ou Voltar: dois triângulos na direção desejada, com um pauzinho no final.
Mas pior mesmo é aquela desculpa:
"Mas é pra isso que a gente tem filho!!!"Ah sim, então você gasta milhares de reais, milhares de horas, milhares de eventos chatos, milhares de todas as outras coisas, sejam boas ou ruins, só pra não ter que aprender como tocar uma música?
Sinceramente, acho muito mais fácil decorar o que um triângulo quer dizer num tocador de música...
Wednesday, February 4, 2009
?
Pronto, não sei como, acabei passando na UFSCar também, e minha vida se complicou. O que devo fazer?
UNESP é uma universidade estadual, em São José do Rio Preto, que é longe de casa e quente. Mas poderia morar lá e ficar mais "independente" (sei...), e são ares novos.
A UFSCar é uma universidade federal, bem mais perto de casa, em Sorocaba, o campus foi faz inaugurado faz pouco tempo. Sendo perto, teria a facilidade de continuar perto de São Paulo, a capital, e isso é sempre bom... Também é menos calor, o que eu aprecio muito (até fica abaixo do Trópico de Capricórnio!).
Ambos os cursos são de Ciência da Computação, e como podem notar pelo tamanho dos parágrafos, a UFSCar me parece a opção mais interessante no momento. Mas você pode externar sua fúria na enquete ao lado.
Ah, ainda espero pelos resultados da UNICAMP, mas acho que nada mais virá...
Agora vão, votem. Ou não.
UNESP é uma universidade estadual, em São José do Rio Preto, que é longe de casa e quente. Mas poderia morar lá e ficar mais "independente" (sei...), e são ares novos.
A UFSCar é uma universidade federal, bem mais perto de casa, em Sorocaba, o campus foi faz inaugurado faz pouco tempo. Sendo perto, teria a facilidade de continuar perto de São Paulo, a capital, e isso é sempre bom... Também é menos calor, o que eu aprecio muito (até fica abaixo do Trópico de Capricórnio!).
Ambos os cursos são de Ciência da Computação, e como podem notar pelo tamanho dos parágrafos, a UFSCar me parece a opção mais interessante no momento. Mas você pode externar sua fúria na enquete ao lado.
Ah, ainda espero pelos resultados da UNICAMP, mas acho que nada mais virá...
Agora vão, votem. Ou não.
Saturday, January 31, 2009
Uma história de superação, garra, determinação e outras palavras que não se aplicam
Este blog foi criado a partir da promessa de que eu criaria um blog caso fosse aprovado em algum vestibular. Prestei para Ciência da Computação em três faculdade públicas e passei no da UNESP :) Não é o curso mais concorrido da face da Terra, não fiz nenhum milagre, mas é o curso que eu sempre quis e onde eu quis.
Vou contar como fiz, se alguém quiser se inspirar nesse lindo exemplo de esforço e perseverança (ha-ha-ha, gags).
Primeiro, foi necessário cursar o Ensino Médio. Parece óbvio, mas cursar é uma coisa, frequentar é outra. Não me matei de estudar, mas também nunca larguei nada para trás.
Algumas vezes eu gastava horas e horas pra entender alguma coisa (fases da divisão celular, humpf). Sempre tentava entender, nem que fosse pra esquecer duas semanas depois...
Ou seja, é bom um mínimo de dedicação. Eu não fiz muito mais que isso também :) Gastei boa parte do tempo aprendendo informática do jeito que quis e pronto. Agora acho que algumas coisas vão ser muitos úteis para a faculdade.
De um modo simples, se você não lembra o que é um logaritmo, esqueceu o que é uma reação de oxidorredução e acha que nunca ouviu falar de Newton, não há muita saída senão estudar *mesmo*, fazendo cursinho, se isolando numa torre (sem internet!!!) ou o que for necessário.
No meu caso, eu não estava totalmente perdido. Como eu tentava pelo menos saber o que eu estava fazendo ao invés de copiar cegamente da lousa, precisei "apenas" rever boa parte das coisas.
Interlúdio
Isso de copiar cegamente da lousa é um drama. As salas em que tive aula sempre foram turbulentas (acho que é a geração), e chegou um ponto na escola onde cursei o Ensino Médio em que todos haviam desistido e muitas vezes tudo que restava era copiar exercícios e resumos da lousa pra enganar a mente. Sempre me neguei a copiar. Pra isso que inventaram a imprensa, as fotocopiadoras e até o maravilhoso Cut and Paste. Fora que escrever à mão is sooooo 2008...
O plano era estudar de junho até a data dos vestibulares. Daí o tempo passou e a meta virou julho. Agosto. Setembro. Outubro!!
Em outubro tive que andar :) Fiz uma lista de coisas que eu não sabia direito, estudei por cima, não adiantava muito, eram só uns 2 meses.
Fiz as provas de anos anteriores da UNESP, da UFSCar e da UNICAMP. Até três anos antes em alguns casos. E fui fazendo e vendo o quanto eu estava lascado, mas também vi que estava aprendendo ou reaprendendo. Fiz as provas e passei na UNESP :)
Curiosidade: não usei cadernos. Odeio aquelas espirais que sempre ficam no caminho, e aquelas linhas chatas ocupando espaço. Usei bloquinhos de papel, espaços entre exercícios nos livros, folhas A4, pedras, carvão e guache. As grandes estrelas foram mesmo os papéis de bloquinho.
Ou seja, não sofri demais e consegui o que queria. Na verdade, eu sofri parcelado, bem devagar. Ok, não foi tão sofrido assim... é, não foi sofrimento nenhum. Humpf.
Claro que ajuda o fato de que minha vida social é pífia e que eu adoro computadores desde pequeno (estou no ramo há 15 anos!).
Por isso, se você, caro leitor, deseja passar em um vestibular, estude de um jeito ou de outro. E convenhamos, não é tão ruim... Só é ruim quando você não entende :) Todo mundo gosta de aprender, o problema é toda essa multchimídjia.
Outra curiosidades (infundadas):
Vou contar como fiz, se alguém quiser se inspirar nesse lindo exemplo de esforço e perseverança (ha-ha-ha, gags).
Primeiro, foi necessário cursar o Ensino Médio. Parece óbvio, mas cursar é uma coisa, frequentar é outra. Não me matei de estudar, mas também nunca larguei nada para trás.
Algumas vezes eu gastava horas e horas pra entender alguma coisa (fases da divisão celular, humpf). Sempre tentava entender, nem que fosse pra esquecer duas semanas depois...
Ou seja, é bom um mínimo de dedicação. Eu não fiz muito mais que isso também :) Gastei boa parte do tempo aprendendo informática do jeito que quis e pronto. Agora acho que algumas coisas vão ser muitos úteis para a faculdade.
De um modo simples, se você não lembra o que é um logaritmo, esqueceu o que é uma reação de oxidorredução e acha que nunca ouviu falar de Newton, não há muita saída senão estudar *mesmo*, fazendo cursinho, se isolando numa torre (sem internet!!!) ou o que for necessário.
No meu caso, eu não estava totalmente perdido. Como eu tentava pelo menos saber o que eu estava fazendo ao invés de copiar cegamente da lousa, precisei "apenas" rever boa parte das coisas.
Interlúdio
Isso de copiar cegamente da lousa é um drama. As salas em que tive aula sempre foram turbulentas (acho que é a geração), e chegou um ponto na escola onde cursei o Ensino Médio em que todos haviam desistido e muitas vezes tudo que restava era copiar exercícios e resumos da lousa pra enganar a mente. Sempre me neguei a copiar. Pra isso que inventaram a imprensa, as fotocopiadoras e até o maravilhoso Cut and Paste. Fora que escrever à mão is sooooo 2008...
O plano era estudar de junho até a data dos vestibulares. Daí o tempo passou e a meta virou julho. Agosto. Setembro. Outubro!!
Em outubro tive que andar :) Fiz uma lista de coisas que eu não sabia direito, estudei por cima, não adiantava muito, eram só uns 2 meses.
Fiz as provas de anos anteriores da UNESP, da UFSCar e da UNICAMP. Até três anos antes em alguns casos. E fui fazendo e vendo o quanto eu estava lascado, mas também vi que estava aprendendo ou reaprendendo. Fiz as provas e passei na UNESP :)
Curiosidade: não usei cadernos. Odeio aquelas espirais que sempre ficam no caminho, e aquelas linhas chatas ocupando espaço. Usei bloquinhos de papel, espaços entre exercícios nos livros, folhas A4, pedras, carvão e guache. As grandes estrelas foram mesmo os papéis de bloquinho.
Ou seja, não sofri demais e consegui o que queria. Na verdade, eu sofri parcelado, bem devagar. Ok, não foi tão sofrido assim... é, não foi sofrimento nenhum. Humpf.
Claro que ajuda o fato de que minha vida social é pífia e que eu adoro computadores desde pequeno (estou no ramo há 15 anos!).
Por isso, se você, caro leitor, deseja passar em um vestibular, estude de um jeito ou de outro. E convenhamos, não é tão ruim... Só é ruim quando você não entende :) Todo mundo gosta de aprender, o problema é toda essa multchimídjia.
Outra curiosidades (infundadas):
- O tempo dedicado ao estudo é inversamente proporcional à largura da banda de sua conexão com a internet.
- Mensagens instantâneas são prejudiciais ao estudo.
- Mensagens instantâneas podem ser benéficas ao estudo se forem usadas para explicar algo útil para alguém, mesmo que esse alguém não entenda. Você também pode falar sozinho na frente do espelho ou escrever no seu bloco de notas mais próximo, mas eu me sinto louco quando faço isso.
- Eu não tentei a do espelho, não.
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