Saturday, May 2, 2009

Por quê?

Outro dia, assistindo um documentário sobre filosofia, mais especificamente sobre Sócrates, vi que ele fazia o mesmo que eu adoro fazer com pessoas ao meu redor: ficar perguntando os porquês de tudo.

Segundo o documentário, Sócrates era mal visto por aí (bom, por Atenas a uns 2000 anos atrás) por causa desse mesmo comportamento. Experimente fazer isso também: chegue para sua mãe e pergunte: "Mãe, por que você trabalha?", ou então, "Mãe, o que é felicidade?" mas não pare por aí. Vá perguntando os porquês e mais porquês, sem parar.

O objetivo é a pessoa mandar você ir à merda. Mas é isso mesmo que vai acontecer. Algumas pessoas vão rir e falar que não sabem, enquanto as mais esquentadinhas farão o que eu disse acima.

O curioso é que ninguém sabe os porquês. Ninguém sabe porque está vivo, porque faz o que faz nem porque tudo é o que é. Os que dizem que sabem geralmente colocam na explicação algum deus, trezentos deuses, um deus e dois cachorros ou um pé de jaboticaba sagrado, mas nada disso parece ajudar a responder logicamente aos porquês mais profundos.

Abaixo, vou simular um diálogo desse tipo com um leitor desse blog (se é que existe tal ser):
- Por que você está lendo esse blog?
- Porque não tenho nada pra fazer.
- Por quê?
- Por que eu saí do trabalho/faculdade e estou descansando.
- Por quê?
- Porque eu quero recuperar as energias pra trabalhar de novo amanhã.
- Para que? [Note que o "por que" foi trocado por um "para que" similar]
- Pra ganhar dinheiro.
- Para quê?
- Pra ter as coisas que eu quero e ser independente.
- Por quê?
- Porque eu acho legal... [interlocutor com cara de saco cheio]
- Por quê?
- Ah, sei lá, eu não quero depender dos meus pais.
- Por quê?
- Por que eu já tenho 20 anos...
- Por quê?
- Como assim?
- Por que você tem 20 anos?
- Porque eu estou vivo! [interlocutor com cara de confuso]
- Por quê?
- Porque meus pais quiserem me ter. [hehehe, não acharam que ia passar sem uma cacofonia barata né?]
- Por quê?
- Ah, sei lá, porque eles quiseram ter um herdeiro...
- Por quê?
- Ah, pra passar a vida adiante, poder criar uma criança, sentirem-se parte do círculo da vida...
- Pra que?
- Oras, porque é assim que as pessoas são!
- Por quê?
- Por que sim!
- Ah, mas por que elas são assim?
- Por que sim!
- Por que sim não é resposta...
- AH, VÁ À MERDA!
- ROTFLMAO LOL ROFL
É importante não perder a calma em nenhum momento, afinal é a outra pessoa que tem que perder a calma.
Isso não é bem o que o documentário fala que Sócrates fazia. Diz-se que ele fazia questões pras pessoas na rua tentando fazer com que elas chegassem a conclusões verdadeiras e não ilusões vendidas por uma maioria.
Mas acho que esse tipo de diálogo dos porquês acima também se encaixa nesse molde, e mesmo que não faça alguém mudar suas convicções, pelo menos deixa a pessoa pensando por 2 minutos, o que pra algumas pessoas já é pensar um monte.

Experimentem, façam isso com mães, que são mais dóceis com a gente e não vão guardar rancor.
Só não exagerem muito nisso. Com Sócrates não terminou bem.
Coloquem o resultado nos comments e respondam à maravilhosa enquete sem propósito e sem sentido, ao lado.

Agora, o menor diálogo de porquê de todos:
- Língua portuguesa, por que tantos tipos de porquê???
- [Silêncio]

Saturday, April 4, 2009

Vida além do arroz e feijão

Apelo: brasileiros e brasileiras, por favor, parem de considerar arroz e feijão como a combinação mais essencial e básica da Terra. Não, arroz e feijão não é como oxigênio e hidrogênio que juntos formam a água, não é a razão da existência, não é a combinação mais genial já inventada, nem nada disso. É simplesmente mais uma das combinações por aí. Explico.

Eu não gosto de feijão, mas adoro arroz de quase todo jeito. Mas parece ter um pensamento embutido na cabeça da maioria dos brasileiros (o que corresponde a cerca de 95% das pessoas com quem me comunico) de que arroz e feijão é algo sine qua non.

Pois bem, já ouvi muitas frases que me deixam pasmo:

"Como assim??? Você não coloca feijão no arroz???"
Sim, não como feijão. Posso não gostar?

"Você comia arroz e feijão lá?"
Essa é quando me perguntam o que eu comia enquanto estava em intercâmbio nos EUA.
A resposta que eu sempre tive vontade de dar é: qual foi a última vez que você viu o Homem Aranha filando um pratão de arroz, feijão e farinha?
A única vez que vi arroz e feijão juntos nos EUA foi na casa de mexicanos. De resto, até onde vi, americanos comem arroz OU feijão. Podem até existir juntos, mas não em todo lugar, todo dia, toda hora, não importam as circunstâncias, como ocorre aqui no Brasil.
Eu comia muitas outras coisas nos EUA (aliás, é totalmente errado o estereótipo de que era só hambúrguer e cachorro-quente). Só que é complicado explicar, porque era muito variado mesmo, não era aquela coisa: arroz, feijão, bife e batata frita. Não havia uma "base" para a alimentação como o arroz e feijão é no Brasil, e cada dia era algo novo, seja em casa, na escola ou em restaurantes. O primeiro cardápio americano que você pega é um choque. :)

"Você só vai comer isso???"
Dita pelas pessoas ao verem eu comendo dois pedaços de pizza, um cachorro-quente e tomando um copo de leite com achocolatado para o almoço.
A pessoa fala isso porque não viu arroz e feijão no meu prato. De algum modo, parece que alimentos que não estão no mesmo prato que arroz e feijão não são alimentos. Tudo bem, eu sei que pizza e cachorro-quente não é o almoço mais digno de aplausos, mas sim, alimenta. Outras variações podem produzir o mesmo efeito benéfico ao organismo que arroz e feijão proporcionam.

"Ai, eu sentia saudades daqui toda hora, sentia falta de arroz com feijão!"
O oposto do caso do intercâmbio, dita por pessoas que voltam para o Brasil.
Oras, por favor, a pessoa esteve num outro país, a maioria deles com comidas excelentes, e não conseguiu, ou não tentou descobrir nada melhor ou igual a arroz e feijão??? Nada???


Entendo que arroz e feijão é importante e tudo mais, consiste uma boa base pra dieta, com carboidratos e ferro e não sei o que mais, que alimenta bem e é simples e barato.
Mas há comida sem arroz e feijão! E há povos que não comem arroz e feijão e sim, eles sobrevivem, e não, não são pessoas doentes e fracas.

Eu não tenho problemas com 99% das pessoas ao meu redor gostarem de arroz e feijão. Só não gosto do simplismo que cerca isso... Ah, e se alguém for defender ferrenhamente arroz e feijão nos comments, por favor, sem aquele papo de que enche o estômago.

Facul, mew

Agora entendo perfeitamente as pessoas que tem blog e falam que não tiveram tempo pra postar por causa da faculdade. Posts vão ter um intervalo maior a partir de agora. Como se fosse um post a cada dia antes...

Friday, March 6, 2009

Evolução

Não é incrível como algumas ideias ou instituições não precisam de ninguém para lutar contra elas, de tão ineficientes e antiquadas que são?
Parece que essas entidades tem a habilidade de se exterminarem sozinhas, bem lentamente, nem que décadas ou séculos se passem em agonia.

O Sistema

Dá pra entender essa gente que fala que é contra o sistema? Pior que dá. Mas não esse sistema, o outro. O Sistema.

Cenário 1: João vai ao banco. O sistema está fora do ar e ele volta pra casa resignado.
Cenário 2: Manuel vai trabalhar. O sistema está em manutenção e a atendente tem que fazer as coisas manualmente, demorando um tempão.
Cenário 3: Joaquim vai à prefeitura em busca de algum serviço. O sistema está lento e ele perde 2 horas lá.
Cenário 4: Pedro está tentando alterar seu plano de telefonia celular e liga, mas não pode ser atendido porque o sistema caiu.

Já perceberam como esse tal do Sistema está sempre com problemas?
Mesmo pessoas que não saem muito de casa, quando saem usar algum serviço público, meu caso essa semana, são afetadas pelo tal Sistema. Mas quem é ele?

O Sistema parece ser um termo usado para definir tudo: conexão com a internet, aquele banco de dados com algum problema bizarro (provavelmente por causa de um desenvolvedor mais bizarro ainda), ou aquela página que engasga no horário de pico...
E as razões pelas quais isso tudo está assim, não parece ter muita gente interessada em descobrir e resolver.

O que me choca é que eu não vejo os sistemas que administro dando tantos problemas, toda hora. Tudo bem que não administro nenhuma central com milhões de clientes, mas será que é tão difícil manter o tal do Sistema em pé por mais que 10 minutos?
Eu sempre achei que décadas de ciência, associadas a anos de faculdade e treinamento profissional gerassem pessoas capazes de fazer "sistemas" que funcionem de fato.

A consequência disso é que as pessoas sérias que trabalham com informática tem que ouvir aquelas ladainhas das pessoas afetadas pelo sistema problemático:
"Por isso que eu ainda prefiro papel."
Boa! Papel dá pra limpar a bunda e tudo o mais! Quero ver seu laptop fazer isso! Vamos todos voltar ao tempo do papel! Essa frase merece um post separado, a ser escrito no futuro.
"Mas e se não tiver energia elétrica?"
E se você perder as duas mãos e os dois pés e os dentes, vai escrever como? Ops, ainda tem um jeito, mas ia cansar as costas. Compre uma bateria/gerador/no-break, e não ter energia elétrica vai ser como perder as duas mãos, os dois pés e os dentes.
"Ai, por isso que eu não gosto de computador..."
Até você ver as fotos de todos seus parentes no Orkut e ficar encantado.

As pessoas que dizem isso não podem receber toda a culpa. O infeliz que faz O Sistema que deixou aquela pessoa na mão merece talvez toda a culpa.

Observações:
  • Post escrito enquanto aparentemente o servidor de DNS da maravilhosa empresa que provê minha conexão estava com problemas, me deixando um tempinho livre. Sabe como é, tem muita baboseira pra ver na internet, acaba ocupando todo o meu tempo.
  • E sim, eu sei trocar DNS, só não quis.
  • Post em termos altamente genéricos, não é preciso entrar em muitos detalhes sobre servidores, links, sistemas de organização empresarial, bancos de dados e todos os outros "sistemas".

Friday, February 20, 2009

Crisis

Amazing video. Even if you don't have a good grasp on economy (I don't), you'll probably be able to understand how this big mess was started.

Part 1


Part 2


For further information: http://www.crisisofcredit.com/

Agora, se você não sabe inglês, vá aprender. Sério mesmo. Não é extra, não é básico. É essencial.

Samba em algum lugar

Esse post é um apelo a qualquer pessoa que julgue que o povo brasileiro é superior de alguma forma a qualquer outro povo porque "tem samba no pé".

Por favor, não tenham uma posição tão mesquinha e nacionalista de que só porque você nasceu num pedaço de terra como qualquer outro isso lhes garante habilidades e poderes especiais. E pior ainda é quando fazem piadinhas com estrangeiros como se fossem inferiores...

Claro que as pessoas que têm essa opinião provavelmente não lerão esse post, mas não tem problema.

Sunday, February 15, 2009

Matrícula

Ouvindo as opiniões de todos os lados, decidi não ir para o outro lado do mundo fazer faculdade e fiz a matrícula na UFSCar, campus de Sorocaba. E sim, teve trote.

Com tinta (inclusive dentro de um ouvido), lama, algum líquido que cheirava a tempero (e eu sinceramente espero que tenha sido só tempero mesmo), corte de cabelo e simulações com um boneco de propaganda de sorvete. Mas sobrevivi, embora esteja com uns 6 mm de cabelo. Na verdade é bem mais fácil de manter do que aquela cabeleira toda...

Enfim, as aulas começam no começo de Março.

Saturday, February 7, 2009

Play

Quantas vezes você já foi chamado por seu pai ou mãe ou qualquer outro parente para resolver problemas óbvios relacionados a tecnologia?

Não estou falando de ligar cabos, configurar dispositivos nem nada levemente mais técnico. Falo do óbvio do óbvio, coisas do tipo:
  • Como liga?
  • Como faz pra tocar?
  • Como abaixa o volume?
  • Como vai pra próxima?
  • Como desliga?
Pois então, pessoas com essas dúvidas, tenho algo muito importante para dizer. Existem símbolos quase universais para essas funções. São eles:
  • Ligar ou Desligar: um círculo com um pauzinho saindo (...).
  • Tocar (e geralmente, pausar também): um triângulo virado pra direita.
  • Abaixar o volume: qualquer controle de volume geralmente se dá com os sinais de + e -. Se não for isso, pode ser a representação de um alto-falante com um ondas de som saindo a mais ou a menos.
  • Avançar ou Voltar: dois triângulos na direção desejada, com um pauzinho no final.
Simples, né? Agora sempre que perguntarem vou mandar lerem isso.

Mas pior mesmo é aquela desculpa:
"Mas é pra isso que a gente tem filho!!!"
Ah sim, então você gasta milhares de reais, milhares de horas, milhares de eventos chatos, milhares de todas as outras coisas, sejam boas ou ruins, só pra não ter que aprender como tocar uma música?
Sinceramente, acho muito mais fácil decorar o que um triângulo quer dizer num tocador de música...

Wednesday, February 4, 2009

?

Pronto, não sei como, acabei passando na UFSCar também, e minha vida se complicou. O que devo fazer?

UNESP é uma universidade estadual, em São José do Rio Preto, que é longe de casa e quente. Mas poderia morar lá e ficar mais "independente" (sei...), e são ares novos.

A UFSCar é uma universidade federal, bem mais perto de casa, em Sorocaba, o campus foi faz inaugurado faz pouco tempo. Sendo perto, teria a facilidade de continuar perto de São Paulo, a capital, e isso é sempre bom... Também é menos calor, o que eu aprecio muito (até fica abaixo do Trópico de Capricórnio!).

Ambos os cursos são de Ciência da Computação, e como podem notar pelo tamanho dos parágrafos, a UFSCar me parece a opção mais interessante no momento. Mas você pode externar sua fúria na enquete ao lado.

Ah, ainda espero pelos resultados da UNICAMP, mas acho que nada mais virá...

Agora vão, votem. Ou não.