Sunday, October 11, 2009

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Alguns devem ter ouvido falar de Wolfram|Alpha, uma espécie de engine de respostas. Não é como o Google, faz coisas bem diferentes. Ele se propõe a responder perguntas com base em informações estruturadas, e não uma listona de coisas relevantes, como o Google.

Estudando, descobri uma excelente utilidade para ele: resolver as dúvidas cruéis de Cálculo II, envolvendo limites, sequências e séries. Digo dúvidas cruéis não porque sejam realmente cruéis, mas porque não nos dão a resposta para checar... Aliás:

Interlúdio para reclamação
Por qual triste razão os livros e professores de faculdade quase nunca dão as respostas? E quando dão, são só algumas. Eu, como auto-didata, sofro com isso. Preciso fazer exercícios para aprender, e para isso, preciso saber se a resposta está correta! Sempre foi assim que aprendi, e agora preciso ficar procurando as respostas como se fosse ouro. Felizmente agora encontrei uma mina (de ouro)...

Voltando...
Ele responde perguntas de tantos ramos de exatas e não-tão-exatas que chega a causar espanto.
É matemática, lógica, química, física, estatística, climatologia, astronomia, linguística... Calcula limites, resolve inequações, avalia expressões lógicas, compara elementos químicos, mostra rankings, converte valores... Bom, já deu pra entender. Há uma lista de exemplos bem completa no site.
Claro que existem dezenas de outros sites que fazem as mesmas coisas, mas acho que nenhum outro une tantas áreas diferentes num só lugar.

Jovem, se você é estudante, seja para vestibular, seja depois de ter passado no vestibular, ou muito antes disso tudo, Wolfram|Alpha é um grande amigo. É só aprender a notação, que é mostrada nos exemplos e ser feliz.

Histórias de busão

Velho e jovem conversam. Velho diz:

- E você viu que eles conseguiram arrumar a cegueira de um homem lá, que nunca enxergou na vida?
- Não...
- Então, eles implantaram uma microcâmera atrás do nervo óptico do rapaz, e agora ele não consegue ver cores assim, mas consegue ver vultos e tudo mais. E estão treinando ele agora, pra ele reconhecer as coisas, ensinando o que é um muro, já que ele nunca viu um...
- Interessante...
- E tudo isso eles só conseguiram foi por causa de dois moleques de quatorze anos!
- Não, não é possível!
- Foi sim, os dois fizeram uma microcâmera pra poder colocar no fio de cabelo e passar as informações durante o vestibular!
- Mas como? Se eles são tão inteligentes assim nem precisavam colar!

Silêncio de 2s devido a argumento destruidor
- Daí o FBI pegou eles e eles tiveram que passar a tecnologia!
- ...

Tentei descrever o diálogo com a maior veracidade o possível. Foi uma conversa bem nessas linhas, e o jovem não parecia muito animado, ele já teve que aturar esse tipo de papo antes. Mas como se pode ser tão crédulo assim?

Wednesday, August 12, 2009

?

Pequenas questões idiotas ou duvidosas que não valem um post completo
  • Já notaram o crescente número de clipes de músicas com cenas que parecem simular orgias? Digo, uma dúzia de atores com roupa, mas pouca, e se esfregando em um sofá, sugerindo movimentos. Preciso de provas pra isso ou todo mundo já viu? Bom, aposto que qualquer um dos milhões de leitores desse blog já viu pelo menos uns três assim num passado recente.
  • Não é incrível ver emissoras de TV e empresas de mídia em geral se digladiando?
  • Será que o Twitter vai sobreviver? Daqui a dois anos, vai continuar tendo todo esse status e atenção? Bom, não sou especialista, mas já notaram que esses serviços que geram muito hype repentino tendem a sumir mais rápido do que apareceram? Minha curta memória só lembra do Second Life...

    É tanto hype que basta dar um CTRL+F na página principal de sites de notícias e contar a quantidade de ocorrências de twitter e suas variações para se surpreender. 
Meu chute é que até o meio do ano que vem o Twitter vai estar na vala dos esquecidos, mas como eu disse num post anterior, tentar prever futuro de tecnologia é pedir para errar. Vamos ver se esse post voltará para puxar meu pé enquanto durmo.
  • Como seriam as notícias se além das mortes por gripe suína, as mortes por gripe comum fossem divulgadas? "1300 morrem esta semana"?

Friday, August 7, 2009

Brave New World

(Brave New World (Admirável Mundo Novo), por Aldous Huxley, publicado em 1932: lá vou eu escrever resenha desse super lançamento de quase 80 anos atrás.)

Como pode alguém escrever um livro entre os anos 20 e 30, e ainda assim acertar com tanta precisão o futuro? Não é exatamente um livro futurista, nem de ficção científica, ou apenas de sátira social, mas se encaixaria nessas prateleiras. É um livro bizarro, porque apenas mudando os nomes, descreve boa parte da nossa realidade. Mas como disse, o livro foi escrito antes dessa "nossa realidade" existir, ou pelo menos antes de ela estar sólida. Considero aqui como realidade o mundo após o final da Segunda Guerra, com todo o desenvolvimento tecnológico, o padrão de vida de primeiro mundo se espalhando, a explosão dos meios de comunicação (televisão e internet, principalmente) e todas as coisinhas que derivaram dessas mudanças.

O livro conta a história da humanidade durante a era de "Ford". Sim, o Ford dos carros, que estabeleceu as linhas de produção e ajudou na massificação do consumo. Alguém aí já leu 1984, ou viu o filme? Big Brother da TV não conta! 1984 está para o comunismo como Brave New World está para o capitalismo.

Na parte social, a previsão se mostrou bem correta, não sei se é por causa daquela máxima de que pessoas não mudam(1), e então qualquer bom observador vai conseguir prever o futuro do homem e da sociedade, já que esse futuro será o mesmo que o presente. Mas não me parece ser o caso, já que... bom, que leia o livro quem quiser, senão começarei a encher este post de spoilers.
Em suma, o autor previu um mundo de consumismo e futilidades, controlado por uma elite que manipula a mídia e as outras instituições, de modo que não haja dor, amor real, medo, ou qualquer outra forma de sofrimento (sim, pode incluir amor nisso também, e o livro explica melhor). A religião é trocada por um culto louco a Ford (que em português dá um efeito cômico especial, pois variações da palavra... bom, vocês sabem) e a ciência e as artes são esmagadas pela futilidade, e não pela censura. As pessoas vivem alegres, alheias e alcoolizadas, e qualquer desvio do padrão é visto como errado ou desnecessário. Ia escrever embriagadas no lugar de alcoolizadas, mas essa aliteração (ha!) ficou tão bonitinha que deixei assim mesmo.

O livro peca um pouco nas previsões tecnológicas: helicópteros voando por aí como carros (mas pelo menos não são carros voadores), o fato de ter que ir pra algum lugar como os correios para se comunicar rapidamente, ou a conceito de ensinamentos "hipnopédicos" (durante o sono). Erra principalmente ao retratar a reprodução literalmente in vitro. Se o autor soubesse o quanto a reprodução descontrolada ajudaria a moldar o resto do cenário do livro de forma mais próxima à realidade...
Mas são erros perdoáveis. Afinal, imaginar tecnologia do futuro é pedir para errar, ninguém mandou tentar. Apesar disso, o próprio autor afirmou no prefácio (escrito muitos anos depois) que a estória não é sobre a tecnologia em si, mas as suas consequências na vida humana.
Mas ainda assim, transformando foguetes em jatos comerciais, ensinamentos hipnopédicos por TV e música sintética em boa parte do que ouvimos hoje, fica tudo bem plausível. E tem o soma também, que é o equivalente do álcool talvez, mas sem os vômitos. E o ensinamento que diz que todo mundo é de todos, que não só tem uma assustadora semelhança com os versos de uma conhecida música brasileira, mas também serve para descrever muito do que se vê por aí...

Muitas vezes os "civilizados" acabaram por me lembrar da nossa mundo de pessoas quietinhas, controladas, bem amamentadas, propensas a desistir diante de dificuldades, e todo o resto. E não vou ser cínico de não me incluir nessa realidade também. Se tudo isso é normal e passageiro? Não sei...
Mas que o livro assusta, por parecer tão próximo, assusta.

(1) "People don't change"
-- Dr. House
Fiz isso por bobeira. O livro (pelo menos minha edição) é lotado de frases ditas pelo selvagem e detalhadas no rodapé, que remetem, principamente, a Shakespeare. Enche o saco, mas é legal.

Friday, July 17, 2009

Aporcalipse

Está realmente cômico assistir telejornais nestes dias que vivemos.
A razão é óbvia, porque basta ligar a TV e esperar um pouco que logo aparece o desespero em notícia: a gripe suína.
Ninguém parece lembrar que a gripe comum normalmente mata pessoas aos montes, e nem por isso o mundo tem estado em pânico. Se isso não é razão suficiente para um facepalm, temos recomendações de higiene, tais como:
  • Lavar bem as mãos, e não fingir que está molhando a ponta dos dedos *;
  • Sempre que for espirrar, tampar a cara com alguma coisa que não a própria mão;
  • Evitar apertos de mãos e abraços;
  • Evitar aglomerações abafadas;
É incrível ver o mundo com TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo, ou OCD em inglês).
Essas são recomendações que eu sigo normalmente, porque tenho TOC e porque não sou porco. Aliás, os porcos estão fazendo as pessoas menos porcas! E sim, eu sei que não são os porcos, mas me deixem ser feliz com meu trocadilho idiota...
Estou só esperando pra ver aquelas pessoas que riem dos meus cuidados com higiene seguindo essas recomendações básicas.

Update: já encheu o saco mesmo! Quero a crise econômica de volta JÁ! Pelo menos eram recomendações de como lidar com o dinheiro, e não como higienizar os vãos do dedo com álcool gel...

* Aliás, isso merecia um post, mas vai na forma de um adendo mesmo. É só entrar em qualquer banheiro masculino e ver como muitos homens lavam a mão: abrem a torneira, molham a ponta do dedo, sacodem as mãos como se tivessem sido mergulhadas na água, e pronto. E mais um protesto: quem é que desenhas as pias? Por que a maioria delas tem que ser tão baixas?

Saturday, July 11, 2009

Ressurreição

Final de semestre na faculdade + falta de computador = blog esquecido

E finalmente entendo aqueles inúmeros blogs que dizem: "Final de semestre, tenho tanta coisa pra fazer que não dá nem pra pensar em internet!!!". É tudo verdade.

Em breve, posts novos. Ou não.

Saturday, May 2, 2009

Por quê?

Outro dia, assistindo um documentário sobre filosofia, mais especificamente sobre Sócrates, vi que ele fazia o mesmo que eu adoro fazer com pessoas ao meu redor: ficar perguntando os porquês de tudo.

Segundo o documentário, Sócrates era mal visto por aí (bom, por Atenas a uns 2000 anos atrás) por causa desse mesmo comportamento. Experimente fazer isso também: chegue para sua mãe e pergunte: "Mãe, por que você trabalha?", ou então, "Mãe, o que é felicidade?" mas não pare por aí. Vá perguntando os porquês e mais porquês, sem parar.

O objetivo é a pessoa mandar você ir à merda. Mas é isso mesmo que vai acontecer. Algumas pessoas vão rir e falar que não sabem, enquanto as mais esquentadinhas farão o que eu disse acima.

O curioso é que ninguém sabe os porquês. Ninguém sabe porque está vivo, porque faz o que faz nem porque tudo é o que é. Os que dizem que sabem geralmente colocam na explicação algum deus, trezentos deuses, um deus e dois cachorros ou um pé de jaboticaba sagrado, mas nada disso parece ajudar a responder logicamente aos porquês mais profundos.

Abaixo, vou simular um diálogo desse tipo com um leitor desse blog (se é que existe tal ser):
- Por que você está lendo esse blog?
- Porque não tenho nada pra fazer.
- Por quê?
- Por que eu saí do trabalho/faculdade e estou descansando.
- Por quê?
- Porque eu quero recuperar as energias pra trabalhar de novo amanhã.
- Para que? [Note que o "por que" foi trocado por um "para que" similar]
- Pra ganhar dinheiro.
- Para quê?
- Pra ter as coisas que eu quero e ser independente.
- Por quê?
- Porque eu acho legal... [interlocutor com cara de saco cheio]
- Por quê?
- Ah, sei lá, eu não quero depender dos meus pais.
- Por quê?
- Por que eu já tenho 20 anos...
- Por quê?
- Como assim?
- Por que você tem 20 anos?
- Porque eu estou vivo! [interlocutor com cara de confuso]
- Por quê?
- Porque meus pais quiserem me ter. [hehehe, não acharam que ia passar sem uma cacofonia barata né?]
- Por quê?
- Ah, sei lá, porque eles quiseram ter um herdeiro...
- Por quê?
- Ah, pra passar a vida adiante, poder criar uma criança, sentirem-se parte do círculo da vida...
- Pra que?
- Oras, porque é assim que as pessoas são!
- Por quê?
- Por que sim!
- Ah, mas por que elas são assim?
- Por que sim!
- Por que sim não é resposta...
- AH, VÁ À MERDA!
- ROTFLMAO LOL ROFL
É importante não perder a calma em nenhum momento, afinal é a outra pessoa que tem que perder a calma.
Isso não é bem o que o documentário fala que Sócrates fazia. Diz-se que ele fazia questões pras pessoas na rua tentando fazer com que elas chegassem a conclusões verdadeiras e não ilusões vendidas por uma maioria.
Mas acho que esse tipo de diálogo dos porquês acima também se encaixa nesse molde, e mesmo que não faça alguém mudar suas convicções, pelo menos deixa a pessoa pensando por 2 minutos, o que pra algumas pessoas já é pensar um monte.

Experimentem, façam isso com mães, que são mais dóceis com a gente e não vão guardar rancor.
Só não exagerem muito nisso. Com Sócrates não terminou bem.
Coloquem o resultado nos comments e respondam à maravilhosa enquete sem propósito e sem sentido, ao lado.

Agora, o menor diálogo de porquê de todos:
- Língua portuguesa, por que tantos tipos de porquê???
- [Silêncio]

Saturday, April 4, 2009

Vida além do arroz e feijão

Apelo: brasileiros e brasileiras, por favor, parem de considerar arroz e feijão como a combinação mais essencial e básica da Terra. Não, arroz e feijão não é como oxigênio e hidrogênio que juntos formam a água, não é a razão da existência, não é a combinação mais genial já inventada, nem nada disso. É simplesmente mais uma das combinações por aí. Explico.

Eu não gosto de feijão, mas adoro arroz de quase todo jeito. Mas parece ter um pensamento embutido na cabeça da maioria dos brasileiros (o que corresponde a cerca de 95% das pessoas com quem me comunico) de que arroz e feijão é algo sine qua non. É, vão aprender umas frases de latim, desocupados. Não é esnobisse, é básico. Pra quem sabe, desculpa.

Pois bem, já ouvi muitas frases que me deixam pasmo:

"Como assim??? Você não coloca feijão no arroz???"
Sim, não como feijão. Posso não gostar?

"Você comia arroz e feijão lá?"
Essa é quando me perguntam o que eu comia enquanto estava em intercâmbio nos EUA.
A resposta que eu sempre tive vontade de dar é: qual foi a última vez que você viu o Homem Aranha filando um pratão de arroz, feijão e farinha?
A única vez que vi arroz e feijão juntos nos EUA foi na casa de mexicanos. De resto, até onde vi, americanos comem arroz OU feijão. Podem até existir juntos, mas não em todo lugar, todo dia, toda hora, não importam as circunstâncias, como ocorre aqui no Brasil.
Eu comia muitas outras coisas nos EUA (aliás, ao idiota que supor que era hambúrguer e cachorro-quente: vá cagar). Só que é complicado explicar, porque era muito variado mesmo, não era aquela coisa: arroz, feijão, bife e batata frita. Não havia uma "base" para a alimentação como o arroz e feijão é no Brasil, e cada dia era algo novo, seja em casa, na escola ou em restaurantes. O primeiro cardápio americano que você pega é um choque. :)

"Você só vai comer isso???"
Dita pelas pessoas ao verem eu comendo dois pedaços de pizza, um cachorro-quente e tomando um copo de leite com achocolatado para o almoço.
A pessoa fala isso porque não viu arroz e feijão no meu prato. De algum modo, parece que alimentos que não estão no mesmo prato que arroz e feijão não são alimentos. Tudo bem, eu sei que pizza e cachorro-quente não é o almoço mais digno de aplausos, mas sim, alimenta. Outras variações podem produzir o mesmo efeito benéfico ao organismo que arroz e feijão proporcionam.

"Ai, eu sentia saudades daqui toda hora, sentia falta de arroz com feijão!"
O oposto do caso do intercâmbio, dita por pessoas que voltam para o Brasil.
Oras, por favor, a pessoa esteve num outro país, Dinamarca, Itália, França, Japão, Austrália, Canadá, etc. e não conseguiu, ou não tentou descobrir nada melhor ou igual a arroz e feijão??? Nada???


Entendo que arroz e feijão é importante e tudo mais, consiste uma boa base pra dieta, com carboidratos e ferro e não sei o que mais, que alimenta bem e é simples e barato.
Mas caro povo brasileiro: há comida sem arroz e feijão! E há povos que não comem arroz e feijão e sim, eles sobrevivem, e não, não são pessoas doentes e fracas.

Eu não tenho problemas com 99% das pessoas ao meu redor gostarem de arroz e feijão. Só não gosto do simplismo que cerca isso... Ah, e se alguém for defender ferrenhamente arroz e feijão nos comments, por favor, sem aquele papo de que enche o estômago.

Facul, mew

Agora entendo perfeitamente as pessoas que tem blog e falam que não tiveram tempo pra postar por causa da faculdade. Posts vão ter um intervalo maior a partir de agora. Como se fosse um post a cada dia antes...

Friday, March 6, 2009

Evolução

Não é incrível como algumas ideias ou instituições não precisam de ninguém para lutar contra elas, de tão ineficientes e antiquadas que são?
Parece que essas entidades tem a habilidade de se exterminarem sozinhas, bem lentamente, nem que décadas ou séculos se passem em agonia.